Segunda-feira, 19 de Julho de 2010

É hora!

“Nem rei nem lei, nem paz nem guerra
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder
Como o que o fogo-fátuo encerra.”

“Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…”

“É a hora!”

Faço minhas as palavras desnudas e cruas, desse grande vulto da poesia portuguesa (e não só) chamado: Fernando Pessoa. É chegada a hora de recobramos a consciência nacional, determo-nos por um instante no azul do mar, olharmos a imensa e infinita abóbada celeste, abafarmos num só sopro o ruído dos ventos contrários e… “escutarmos o silêncio”.
A “voz do silêncio” propiciará a clarividência, a concentração e inspiração necessárias, a fim de analisarmos friamente - mas apaixonadamente -, a situação em que se encontra submerso o Portugal de hoje. Esse desiderato só será alcançado se colhermos os ensinamentos do passado, para não cometermos os mesmos erros no presente, e prepararmos convenientemente e com os pés bem assentes no chão o futuro, em suma: conhecer o passado, compreender o presente e anunciar o futuro.
Os arlequins políticos desde sempre trataram de lograr os crédulos eleitores, por meio de promessas messiânicas, fanfarronas e apelativas, quais setas atiradas por Cupido aos sôfregos corações. Caros amigos e amigas, não mais consintam ser enganados por “eles”, e evitem as esparrelas eleitoralistas meticulosamente urdidas nos bastidores pelos assalariados do poder.
Dom Sebastião é morto! Feneceu em Alcácer Quibir, em pleno Norte de África, Marrocos. O seu epíteto é o “desejado”, e muitos são os que aproveitando a maré das circunstâncias se lançam à deriva no difuso oceano das vãs promessas e encarnam a figura do malogrado rei. Anunciam-se mundividentes messias em carne e osso, despidos de pecado, concebidos à imagem de Deus, brandindo nos ares a panaceia salvífica…espécie de leilão público para inglês (ou português?) ver.
É hora de dissiparmos a névoa que nos embaça e nos embaraça o horizonte, e vermos além daquilo que nos querem impingir: o Portugal deles! Com a breca! Portugal é dos portugueses, esses sim foram os obreiros da Nação, e não os que agora se servem dele para saciarem as suas (in) saciáveis gulas. Flamejantes “Pais da Pátria” não nos infamem a memória colectiva, o nosso ADN, esse é indelével, insusceptível de ser apagado dos anais da história.
É hora de sentirmos o Portugal a arder dentro do peito lusitano, largarmos a âncora e velejarmos em direcção a um novo País: novas rotas com navegadores mais habilitados e merecedores da nossa confiança. Basta de fariseus no templo (e no tempo) sagrado, estamos fartos da vossa torrencial e falaciosa prosápia!
Concluo com um último apontamento: magnatas da direita, aceitamos o capitalismo, mas não o de cariz selvagem! O “venha a nós o vosso reino” não nos seduz, tampouco reluz. Revolucionários da esquerda, dizemos sim aos direitos, liberdades, e garantias, contanto que não vos esqueçais de que há deveres a cumprir! Não queiram fazer cá da paróquia uma Sodoma ou uma Gomorra, “bacanais” não muito obrigado!

Um até já filhos de Luso…

Nuno Capucho Sampaio

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